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Obama é maçom?

Gente, Internacional
ObamaPointing Obama é maçom?

Brother Obama?

A especulação começou ainda em março de 2007, quando o “jovem” – para os padrões da política – Barack Obama começou a despontar como um candidato forte à eleição presidencial norte-americana: “para ascender tão rapidamente, só pode ser maçom”.

A primeira referência foi feita por um membro anônimo de um fórum online, afirmando que seu informante “sentou-se ao lado de Obama numa loja maçônica“.

Num país onde a paranóia e as teorias conspiratórias parecem ter solo mais fértil que em qualquer outra parte do planeta, não demorou para o boato crescer a ganhar corpo. Ouvi essa história de que o Obama é maçom há algumas semanas, aqui no Brasil, e resolvi investigar.

Levando em conta que a maçonaria é uma organização envolta em mistérios, que não faz nenhuma questão de divulgar detalhes sobre suas reuniões e sobre seus membros, fica fácil para a criatividade das pessoas aflorar. Afinal, nenhum membro vai tomar a iniciativa de rebater todas as maluquices (e algumas verdades) que se publica sobre a maçonaria.

O que muita gente fala na internet é que Barack Obama é um maçom de grau 32, dentro da maçonaria Prince Hall.

As lojas Prince Hall levam o nome de seu fundador, um um militar negro que atingiu o grau 33 (máximo) em 1775, na cidade de Boston. Ao longo da história dos EUA, a segregação racial tornava muito difícil a participação de negros nas lojas tradicionais. Por isso a Prince Hall ganhou espaço e hoje continua reunindo majoritariamente maçons afro-americanos.

A Prince Hall segue o rito escocês e, portanto, tem mesmo 33 graus para serem galgados por seus intregantes. É tecnicamente possível que Obama seja um maçom grau 32 dentro de uma “maçonaria para negros”.

É tecnicamente possível, mas também muito difícil encontrar provas de que isso seja verdade.

Dê uma olhada nas fotos abaixo:

obamagesto Obama é maçom?

Gestos para a a plateia

i love you Obama é maçom?

"Eu amo você"

Vocês acham que ele está avisando para o eleitores que que é maçom, com um gesto associado à ordem ou ele estaria dizendo “I love you” para alguém na plateia, usando a língua de sinais?

Agora que o livro “O Símbolo Perdido“, de Dan Brown está no topo da lista dos mais vendidos, a maçonaria virou assunto da moda. E misturar a sociedade secreta com o homem mais poderoso do mundo é um prato saboroso e intrigante para muita gente que gosta de teorias mirabolantes. De fato, 14 presidentes dos EUA eram maçons, incluindo o fundador da nação, George Washington. Isso ajuda a reforçar o elo entre o ocupante da Casa Branca e a organização secreta.

O fato que de uma loja maçônica promoveu um baile para comemorar a posse de Obama não ajudou muito e alimentou as suspeitas. Na noite de 20 de janeiro de 2009, o presidente e a primeira-dama compareceram a 10 bailes, mas não foram ao maçônico.

forum Obama é maçom?

Forum da campanha

Ainda na época da campanha, o site de Barack Obama (que reunia e registrava milhares de manifestações em favor do candidato) teve um dos posts do seu fórum ilustrado com símbolos maçônicos. Eram membros da Prince Hall relatando que estavam engajados na eleição do democrata negro. Encontrar uma estrela maçônica, compasso e esquadro postados no fórum público já foi o suficiente para uma publicação cristã fundamentalista afirmar que Obama é maçom.

Outra “prova” que é apresentada com frequência é o aperto de mão. Obama, em alguns momentos, teria revelado sua identidade maçon ao cumprimentar determinadas pessoas. A colocação das mãos indicaria o grau do maçon. O polegar pressionando determinado espaço entre os nós dos dedos seria a senha para informar o grau do indivíduo dentro da maçonaria.

fcreal Obama é maçom?

Este vídeo, editado durante a campanha presidencial, tenta convencer o internauta a não votar no maçom Obama, devido a um revelador aperto de mão com o apresentador Bob Schieffer:

Essa outra foto, do jovem Obama recebendo um prêmio também é apresentada como prova:

Obama recebe diploma em sua formatura

Obama recebe diploma de formatura

Quando o pré-candidato Barack Obama fez campanha e discursou numa loja de rito escocês em Des Moines, o evento foi relatado pelo jornal The Boston Globe e pelo Des Moines Register. Aparentemente, vários sites de cristãos conservadores citaram o repórter do Des Moines Register de maneira errada. As transcrições da matéria que foram publicada seriam assim:

Jason Clayworth, repórter, escreveu que “Um de seus membros mais famosos, e também um membro de grau 32 da maçonaria Prince Hall, se tornou um candidato à presidente para 2008. Seu nome é Barack Hussein Obama.”

A transcrição foi contestada, já que o repórter nunca teria escrito aquelas palavras e nunca teria associado Obama diretamente à maçonaria.

A maior controvérsia pipocou em junho de 2008, quando um artigo da renomada revista Newsweek estampou uma enorme foto do que seriam as mãos de Barack Obama ajeitando o brasão da presidência da República.

newsweek Obama é maçom?

Foto de Charles Ommanney/Getty Images na revista Newsweek

Na mão direita há um vistoso anel maçônico.

obama ring 3 Obama é maçom?

Um inegável anel maçônico, com o compasso e o esquadro

A questão toda é: quem prova que essa é mesmo a mão de Barack Obama? Duvido muito que seja. Ninguém pode provar qualquer relação.

A própria legenda, na revista, não afirma que aqueles dedos são de Obama. Diz apenas “The president’s official seal is set”, ou seja “O selo oficial do presidente está arrumado”.

Na foto, o terno é de tweed e o relógio muito diferente daquele que Obama costuma usar. Uma imagem dessas, produzida, em uma revista como a Newsweek é – com certeza – cuidadosamente planejada. Pode-se questionar a intenção dos editores ao colocarem discretamente um anel maçônico numa mão negra numa matéria sobre Obama. Mas daí a usar isso como prova de que o presidente dos Estados Unidos é um maçom, creio que seja um salto grande demais.

Para completar, um pouco raciocínio lógico: Obama não surgiu em 2008, “do nada”. Ele já era uma figura pública reconhecida há tempos. Mesmo em épocas em que ele não era tão famoso, nunca houve nenhum registro de que ele frequentasse encontros maçônicos. De fato, m artigo publicado pela loja de British Columbia e Yukon (no Canadá) diz que nem a Grande Loja de Illinois nem a Grande Loja Prince Hall de Illinois (estado de origem de Obama) têm qualquer registro de que ele ingressou na ordem.

A Grande Loja Prince Hall de Michigan publica uma lista de maçons negros famosos – que inclui o empresário do boxe Bon King e o cantor Nat King Cole. Em nenhum momento alguém faz menção a Barack Obama.

Aproveitando, mais uma vez, a esteira do sucesso de O Símbolo Perdido a CNN veiculou em outubro uma reportagem sobre os maçons e sua presença dentro do Congresso norte-americano.

Mesmo que alguns congressistas não gostem de falar sobre o assunto, sua condição de membros da maçonaria é pública. Alguém acredita que Obama chegaria à presidência sem que sua participação nesta organização fosse notória e amplamente conhecida? Citando a jornalista Rita Marshall:

“A maçonaria, especialmente na América do Norte, é muito mais aberta do que muita gente pensa. A filiação a uma loja maçônica não é um segredo. Nomes dos membros podem geralmente ser encontrados nas paredes das salões maçônicos, onde a presença do público externo é comum. (…) Maçons identificam-se com anéis, gravatas, adesivos nos carros e marchas pelas ruas.”

Se Obama fosse maçom, será que não haveria alguma foto dele – em qualquer momento do passado – participando de alguma atividade pública, com identificação clara de sua filiação?

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Olhos sanpaku

Gente

Post atualizado em 03 de setembro

Na época em que o Michael Jackson morreu, muita gente lembrou que ele tinha “olhos sanpaku”.

Sanpaku é uma palavra em japonês que significa “três brancos” e define os olhos onde a área branca do globo fica visível também na região inferior ou superior, entre a íris e a pálpebra.

Presidente John Kennedy tinha olhos sanpaku

Presidente John Kennedy tinha olhos sanpaku

Ok. Pessoas com olhos sanpaku existem. A questão é saber se isso é sinônimo de alguma coisa.

Sanpaku em "Moonwalker"

Sanpaku em "Moonwalker"

Uma amiga do meu amigo e colega Cristiano Dalcin diz que os sanpakus são amaldiçoados, morrem cedo e de maneira trágica. É o que teria acontecido com Michael Jackson, princesa Diana e John Kennedy, por exemplo.

Numa abordagem mais “científica”, encontrei várias fontes relacionando a condição sanpaku com um “grave estado de desequilíbrio físico e espiritual”.

Foi o livro “Sois todos sanpaku“, do japonês George Ohsawa, criador da macrobiótica, que trouxe para o ocidente o conceito de sanpaku. A publicação afirma:

O sanpaku perdeu o contato consigo mesmo, com seu corpo e com as forças naturais do universo. Os sintomas do sanpaku podem ser reconhecidos como fadiga crônica, baixa vitalidade sexual, reflexos ruins, mau humor, incapacidade de dormir bem e falta de precisão nos pensamentos e ações. A macrobiótica é a maneira simples e natural de corrigir a perigosa condição sanpaku e criar um estado de saúde, harmonia e bem-estar, internos e externos.

A macrobiótica é baseada na antiga filosofia oriental das forças universais Yin-Yang. Em termos de bioquímica, se orienta na importante relação entre sódio e potássio no corpo.

Em resumo: para a macrobiótica, olhos sanpaku são um sinal de que as coisas vão mal, naquele momento ou período da vida da pessoa. Mas daí a dizer que trata-se de uma maldição? Pois há quem acredite que é isso mesmo.

O próprio George Osawa teria escrito um artigo no New York Times, prevendo a morte de John Kennedy, de seu irmão Bob, de Marilyn Monroe e de outras celebridades de Hollywood.

No mundo das artes, o tema sanpaku já ganhou várias referências. A mais bizarra é um jazz de gosto duvidoso do artista Michael Franks. Na música é possível ouvir um coral de backing vocals cantando “Sanpakuuuuuuu”. O lendário John Lennon também cantou sanpaku. Na canção Aisumasen (I’m sorry), aos 2:31, ele canta o próprio diagnóstico, algo que ouviu de Yoko Ono:

When I’m down, real sanpaku
And I don’t know what to do

Quanto estou triste, verdadeiro sanpaku
Não sei o que fazer

E as citações não param por aí. O glorioso cinema brasileiro também deu sua contribuição, com o filme “A Maldição do Sanpaku“, estrelado por Patrícia Pillar e Rogéria (!!!). A Maldição do SanpakuPatrícia interpreta uma sanpaku, namorada de um bandido. Ele acredita que a condição dela traz sorte, mas o desenrolar da trama (assim como o título) mostram que não é bem assim.

Para ser ainda mais científico, é preciso dizer que existem dois tipos de sanpaku, em conexão com a filosofia Yin-Yang.

Os “yin sanpaku”, com o branco aparecendo abaixo da íris, seriam pessoas mais fragilizados, “suscetíveis a perigos de origem externa”. É nesta lista que estão os sanpakus mais famosos, aqueles que morreram tragicamente.

Os “yang sanpaku” teriam mais propensão de “gerar perigo”, ou seja: teriam temperamento explosivo e violento. Este seria o caso do assassino Charles Manson.

Não encontrei nenhuma explicação, mas o olho da providência, um símbolo maçônico que aparece na nota de 1 dólar também é sanpaku:

Olho da Providência, símbolo maçônico, também é sanpaku

Olho da Providência, símbolo maçônico, também é sanpaku

Mas resta a pergunta: existe mesmo a tal madição dos olhos sanpaku? Quem os tem, morre cedo? Deixo a resposta na mão do caro leitor, com base na lista de personalidades.

É importante lembrar que nem todas as fotos de determinada pessoa mostram olhos sampaku. Em muitos dos casos abaixo, foi difícil encontrar fotos que “comprovassem” a condição sanpaku. Será mesmo que ela existia? Ou foi meramente uma casualidade, um ângulo diferente dos olhos em relação às lentes da câmera?

Gente que morreu jovem e/ou tragicamente:

Abraham Lincoln

Abraham Lincoln, assassinado aos 56 anos

John Kennedy, assassinado aos XX anos

John Kennedy, assassinado aos 46 anos

Michael Jackson, morto aos XX anos

Michael Jackson, morte súbita aos 50 anos

John Lennon, assassinado aos XX anos

John Lennon, assassinado em 1980

Princesa Diana, acidente de carro aos XX anos

Princesa Diana, acidente de carro aos 36 anos

Senador Bob Kennedy, assassinado aos XX anos

Senador Bob Kennedy, assassinado aos 42 anos

Marilyn Monroe, overdose aos XX anos

Marilyn Monroe, overdose aos 36 anos

Indira Gandhi, assassinada por dois guarda-costas

Indira Gandhi, assassinada por dois guarda-costas

Heath Ledger, overdose aos 28 anos

Heath Ledger, overdose aos 28 anos

Cantora Maysa, morreu em acidente de carro aos 40 anos

Cantora Maysa, acidente de carro aos 40 anos

E agora alguns casos de sanpakus que não morreram, ou morreram idosos:

Juliana Paes, muito viva, na novela das 8

Juliana Paes, viva e gostosa, na novela das 8

Bette Davis, morreu aos 81 anos

Bette Davis, morreu aos 81 anos, num hospital

Assassino Charles Manson, vivo. Caso raro de yin sanpaku ("violento")

Charles Manson, vivo. Um raro yin sanpaku (violento)

Cherie Blair, esposa de Tony Blair

Cherie Blair, esposa do britânico Tony Blair

Jakob Dylan, filho de Bob e vocalista do The Wallflowers

Jakob Dylan, filho de Bob e vocalista do Wallflowers

William Waack, todas as noites no Jornal da Globo

William Waack, todas as noites no Jornal da Globo

E agora? Qual é o SEU veredito?

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A calvície e a família da mãe

Gente, Natureza

A culpa é da sua mãe, mas seu pai é cúmplice

A culpa é da sua mãe, mas seu pai é cúmplice

Com a calvície espalhada por todos os lados da minha família, fica difícil saber a origem do problema que começa a afetar a mim e a outros parentes da mesma geração. De qualquer forma, sempre fiquei intrigado com a afirmação de que a queda de cabelas era uma herança genética da família materna.

Para saber se isso é verdade, vamos aos fatos e à pesquisa:

A cobertura capilar diminui pela ação de uma substância chamada DHT, que se forma a partir do hormônio testosterona. É certo que essa química interna é determinada pelo DNA da pessoa. Um dos gatilhos está no cromossomo X, que o homem herda da mãe (já que o pai participa com o Y).

Por outro lado, cientistas descobriram recentemente que o cromossomo 20 também carrega comandos genéticos que desencadeiam uma maior produção de DHT. E desse tal cromossomo 20 nós temos duas cópias, uma herdada da mãe e outra do pai. Abre-se portanto a possibilidade de que os genes herdados da mãe não sejam os únicos responsáveis pela calvície.

Os cientistas alertam que a descoberta não implica, no momento, em uma cura da calvície masculina, mas oferece excelente possibilidade no futuro.

Existe uma pesquisa feita nos EUA, em 2004, que dá uma resposta bem clara para essa questão da hereditariedade. Ela foi realizada pelo departamento de epidemiologia da indústria farmacêutica Merck, e diz o seguinte:

Nossos resultados sugerem que a probabilidade de queda de cabelo nos homens depende do histórico familiar e da idade. A calvície do pai de um determinado homem também tem um papel importante ao aumentar o risco de queda de cabelo deste indivíduo, seja em conjunção com um histórico de perda de cabelo da mãe ou a queda de cabelo do avô materno.

Em resumo: se você é careca a responsabilidade é dos genes da sua mãe ou do seu avô materno. Mas a calvície do seu pai também tem culpa no cartório.

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O tradutor de Lula

Gente

Provavelmente você assistiu à cena abaixo, pela TV, há cerca de duas semanas. Obama encontra Lula na reunião do G20 e diz: “That’s my man. He’s the most popular politician on earth.”

Repare que Barack Obama encerra a cena fazendo uma brincadeira: “É porque ele é boa pinta!”

Mas você percebeu para quem o presidente dos EUA dirige a frase? É para um cara de barba, que poucos segundos antes havia corrido para ajudar Lula, assim que ficou claro que ele teria que bater um papo com o norte-americano. E quem é que dá esse auxílio providencial (e que não é cumprimentado Timothy Geithner e Kevin Rudd, que estão em volta)?

O nome dele é Sérgio Xavier Ferreira, um tradutor profissional carioca de 59 anos. É Ferreira quem torna possível o diálogo do nosso presidente-ex-torneiro-mecânico com os principais líderes do planeta.

Dias atrás passei algum tempo absorto, pensando: Que trabalho interessante! Que tarefa única este profissional tem. Quantas conversas secretíssimas ele já testemunhou e mediou!

E ainda há o fato de que ele acaba entrando em lugares onde apenas o presidente Lula entra. Nenhum assessor, nenhum outro funcionário do governo tem acesso a tantos recintos, durante as viagens internacionais.

Sérgio Ferreira pode ser uma figura discreta, mas não é transparente. Ele aparece em algumas das principais fotos das visitas oficiais de Lula ao exterior. Veja nas fotos abaixo:

Sérgio Ferreira na Casa Branca

Olha aí o Sérgio Ferreira dando um passeio na Casa Branca

Não faltam oportunidades em que o presidente precisa de ajuda. Oportunidades em que Sérgio Ferreira é o intermediário entre Lula e gente muito importante.

Sérgio Ferreira circulando pela Casa Branca, com Obama e Bush, e em visita à rainha da Holanda

Ferreira na Casa Branca, com Obama e Bush, e em visita à rainha da Holanda

Um profissional como Sérgio Ferreira deve ter muitas histórias para contar. Mas ao que tudo indica, ele não as conta. Não encontrei nenhuma entrevista dele publicada na internet. Está aí uma matéria que eu gostaria de fazer.

No entanto, muitos jornais e revistas já se dedicaram a detalhar um pouco mais quem é esse sujeito que aparece em tantas fotos.

O Estado de S. Paulo conta que o tradutor acompanha Lula há 17 anos. Antes da eleição em 2002, chegou a prestar o serviço gratuitamente. Hoje Ferreira é convocado principalmente quando o presidente, que fala apenas português, precisa dar (e também receber) o recado em inglês. O Estadão informa ainda:

Desde 2005, Ferreira acompanha parte das viagens internacionais de Lula como “convidado especial” da comitiva. Nos dois primeiros anos do governo, atuou como assessor especial da Presidência, mas desligou-se do posto. Desde então, passou a ser contratado pelo Cerimonial do Itamaraty, por meio da Global Multilingue, um escritório de intérpretes sediado no Rio. (…) Discreto, o intérprete é visto no Planalto como uma espécie de confessor – nem mesmo os assessores de Lula extraem trechos das conversas privadas que o presidente mantém com outros líderes.

Outro desafio é conseguir traduzir o discurso informal e improvisado do presidente. Quando ele dispara o habitual “companheiro”, o tradutor pode passar rapidamente do “colleague” para o “brother”.

Sérgio Ferreira também acaba salvando Lula de algumas confusões, como relatou a revista Isto É Dinheiro, em 2006:

O presidente Lula, apesar de boquirroto no cotidiano brasileiro, é extremamente formal quando está com outros chefes de estado. Mesmo assim, não perde chance para esgrimir seu vocabulário popular. O intérprete oficial da presidência, Sérgio Xavier Ferreira, que acompanhou Lula em reuniões com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e com a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, já revelou que é surpreendido por menções às “quebradeiras de coco de babaçu” e outros termos típicos do Brasil, de tradução complexa. Mas isso não é nada se comparado a uma gafe que o presidente cometeu em 2003, em uma viajem à Namíbia, na África. Durante o discurso, Lula soltou uma frase infeliz. “Quem chega a Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e tem um povo tão extraordinário como tem essa cidade”, referiu-se Lula à capital da Namíbia. Ao traduzir para o inglês, Xavier omitiu a palavra “limpa” e pulou para o comentário sobre a beleza da cidade, evitando a ofensa ao continente africano.

Sérgio Xavier Ferreira é a tecla SAP de Lula.

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A perna mecânica de Roberto Carlos

Gente

Roberto Carlos em DetalhesNo início do mês o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro confirmou uma decisão anterior e manteve a proibição de que seja editado e vendido o livro “Roberto Carlos em Detalhes“, de Paulo Cesar de Araújo.

O lançamento da obra havia sido feito em 2006. Araújo passou 16 anos pesquisando a vida do “rei”. Entrevistou 200 pessoas.

Mas a biografia não-autorizada deixou Roberto Carlos irritado. Ele entrou com processo na justiça alegando que o livro invadia sua privacidade. O cantor tem motivos para pensar assim.

Só que Roberto, assim como a maioria dos artistas, ignora o poder de difusão da internet. O material está proibido nas livrarias, mas uma versão em PDF pode facilmente ser encontrada em redes de compartilhamento de arquivos.

O livro, como o próprio título já diz, é rico em detalhes.  Um dos episódios narrados com riqueza é o de 29 de junho de 1947, dia de São Pedro. Aos seis anos de idade, na cidade natal de Cachoeiro de Itapemirim, interior do Espírito Santo, Roberto Carlos tinha a perna direita dilacerada pelas rodas de um trem em movimento.

Leia um trecho do que conta Paulo César de Araújo em seu livro proibido:

Roberto Carlos

Roberto Carlos

Naquele dia, Cachoeiro amanheceu sorrindo e em festa para saudar o seu santo padroeiro que, segundo a Igreja Católica, foi morto e crucificado nessa data em Roma, durante o reinado do imperador Nero, no ano 65 d. C. Era feriado na cidade, dia de desfiles, músicas, bandeiras, discursos, ruas cheias de gente e muita alegria. (…)

Como tantas outras crianças da cidade, naquele dia Roberto Carlos saiu cedo e animado de casa para assistir aos festejos. Era tanta badalação que muitos pais preparavam roupa nova para os filhos estrearem justamente nesse dia. Por isso Zunga (como Roberto era chamado na infância) estava ainda mais contente, porque iria desfilar com os sapatinhos novos que ganhara na véspera. E qual criança não fica feliz ao ganhar uma roupinha ou um novo par de sapatos? Logo que saiu à porta de casa, Roberto Carlos se encontrou com sua amiga Eunice Solino, uma menina da sua idade, que ele carinhosamente chamava de Fifinha. (…)

Pois naquela manhã os dois desceram mais uma vez juntos em direção ao local dos desfiles. Ao chegarem num largo, logo abaixo da rua em que moravam, já encontraram todos em plena euforia. Desfiles escolares, balizas e muitos balões coloriam o céu do pequeno Cachoeiro, ao mesmo tempo em que locomotivas se movimentavam para lá e para cá. Construída na época dos barões do café, no século XIX, quando a cidade era um paradouro de trem de carga, a Estrada de Ferro Leopoldina Railways atravessava Cachoeiro de ponta a ponta.

Por volta de nove e meia da manhã, Zunga e Fifinha pararam numa beirada entre a rua e a linha férrea para ver o desfile de um grupo escolar. Enquanto isso, atrás deles, uma velha locomotiva a vapor, conduzida pelo maquinista Walter Sabino, começou a fazer uma manobra relativamente lenta para pegar o outro trilho e seguir viagem. Uma das professoras que acompanhava os alunos no desfile temeu pela segurança daquelas duas crianças próximas do trem em movimento e gritou para elas saírem dali. Mas, ao mesmo tempo em que gritou, a professora avançou e puxou pelo braço a menina, que caiu sobre a calçada. Roberto Carlos se assustou com aquele gesto brusco de alguém que ele não conhecia, recuou, tropeçou e caiu na linha férrea segundos antes de a locomotiva passar. A professora ainda gritou desesperadamente para o maquinista parar o trem, mas não houve tempo. A locomotiva avançou por cima do garoto que ficou preso embaixo do vagão, tendo sua perninha direita imprensada sob as pesadas rodas de metal. E assim, na tentativa de evitar a tragédia com duas crianças, aquela professora acabou provocando o acidente com uma delas.

Diante da gritaria e do corre-corre, o maquinista Walter Sabino freou o trem, evitando consequências ainda mais graves para o menino, que, apesar da pouca idade, teve sangue-frio bastante para segurar uma alça do limpa-trilhos que lhe salvou a vida. Uma pequena multidão logo se aglomerou em volta do local e, enquanto uns foram buscar um macaco para levantar a locomotiva, outros entravam debaixo do vagão para suspender o tirante do freio que se apoiava sobre o peito da criança. Com muita dificuldade, ela foi retirada de debaixo da pesada máquina carregada de minério de ferro. “Eu estava ali deitado, me esvaindo em sangue”, recordaria Roberto Carlos anos depois numa entrevista. Mas naquele momento alguém atravessou apressado a multidão barulhenta e tomou as providências necessárias. “Será uma loucura esperarmos a ambulância”, gritou Renato Spíndola e Castro, um rapaz moreno e forte, que trabalhava no Banco de Crédito Real.

Providencialmente, Renato tirou seu paletó de linho branco e com ele deu um garrote na perna ferida do garoto, estancando a hemorragia. “Até hoje me lembro do sangue empapando aquele paletó. E só então percebi a extensão do meu desastre”, afirma Roberto, que desmaiou instantes após ser socorrido. Esse momento trágico de sua vida ele iria registrar anos depois no verso de sua canção O Divã, quando diz: “Relembro bem a festa, o apito/ e na multidão um grito/ o sangue no linho branco…”, numa referência à cor do paletó que Renato Spíndola usava no momento em que o socorreu. (…)

Naquela mesma manhã, no hospital da Santa Casa, o médico aplicou uma anestesia local de novocaína no acidentado e deu início à cirurgia. (…)

Na época, em casos semelhantes, era comum fazer a amputação da perna acima do joelho, prática mais rápida e segura. Mas Romildo tinha acabado de ler um estudo americano sobre ciência médica que explicava que os membros acidentados devem ser cortados o mínimo possível. Assim, a amputação da perna do garoto foi feita entre o terço médio e o superior da canela – apenas um pouco acima de onde a roda de metal passou. Essa providência fez com que Roberto Carlos não perdesse os movimentos do joelho direito e pudesse andar com mais desenvoltura.

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TPM não é desculpa para bater no colega

Gente

Quem me conhece pessoalmente já deve ter percebido que a minha primeira reação à maioria das histórias que ouço é duvidar. Eu duvido com facilidade de qualquer história mal contada e, especialmente, de fonte sem autoridade no assunto.

Pois esses dias ouvi de uma mulher, no trabalho: “Eu estou na TPM! E se eu tivesse batido naquele colega que estava me irritando, nem poderia ser demitida já que agora a legislação trabalhista não autoriza punições a mulheres na TPM.”

Duvidei que a legislação trabalhista incluísse algo assim. Nem agora nem nunca.

A pesquisa foi árdua e confesso que não encontrei nenhuma fonte que afirmasse categoricamente que a CLT não dá guarida a mulheres ouriçadas pela iminência do vazamento do endométrio uterino. Mesmo assim, estou colocando minha mão no fogo para afirmar: a minha colega estava errada e se tivesse batido no companheiro de firma estaria, sim, perigando ir pra rua.

Pesquisei de tudo quanto é jeito e não achei nenhuma referência a qualquer lei desse gênero. Nem a legislação federal arquivada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, nem o próprio texto da Consolidação das Leis do Trabalho fazem qualquer menção à TPM.

Agora… Encontrei algumas informações interessantes sobre a tal tensão:

  • Só no estado de São Paulo, são 7 mil policiais civis femininas na ativa. Se a mulher passa de 5 a 7 dias por mês em TPM (16% a 25% do tempo), já imaginaram o risco que é ter 1750 mulheres armadas e irritadas andando pelas ruas?
  • Há juristas que utilizam a TPM como argumento para tentar diminuir a pena de mulheres que cometem crimes como assassinatos. Só não consegui descobrir se isso já colou em algum tribunal brasileiro.
  • Embora a TPM não esteja nas leis trabalhistas, em 2003 uma deputada deferal do PT de São Paulo tentou garantir por lei o tratamento deste distúrbio na rede hospitalar brasileira. Não vingou. O projeto foi arquivado.

Se alguém tiver alguma informação que contradiga a minha não-descoberta, por favor deixe um comentário.

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