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Carnaval não é feriado

Brasil

carnaval2 Carnaval não é feriado

É provável que o seu chefe não vá obrigar você a trabalhar na terça-feira de carnaval. Mas bem que ele poderia, se quisesse. Afinal, carnaval não é feriado oficial no Brasil.

Há, inclusive, relatos de empresas multinacionais que ignoram a tradição de séculos e botam seus funcionários no batente enquanto todo mundo está curtindo a folia.

A TV Justiça (veja ao lado) realizou uma entrevista com um jurista que explica isso tudo bem claramente.

O problema não é a folga. Essa quase todo mundo consegue. Bancos, por exemplo, fecham na sexta à tarde e só reabrem após o meio-dia da quarta-feira de cinzas. O complicado é que você pode ter algum desconto em banco de horas extras. E se trabalhar no carnaval, não adianta pedir que o salário daquele dia seja dobrado. Em São Paulo uma funcionária de companhia telefônica entrou na Justiça para pedir indenização e não levou, como conta a Folha:

Para os juízes, os funcionários de empresas não precisam trabalhar apenas em feriados definidos em lei, o que não é o caso da terça-feira de Carnaval.

O site Guia Trabalhista tem uma explicação bem completa. Uma lei de 1980 e outra lei de 2002 estabelecem que os feriados nacionais são os seguintes:

  • 01 de janeiro: Confraternização Universal – Ano Novo
  • 21 de abril: Tiradentes
  • 01 de maio: Dia do Trabalho
  • 07 de setembro: Independência do Brasil
  • 12 de outubro: Nossa Senhora Aparecida
  • 02 de novembro: Finados
  • 15 de novembro: Proclamação da República
  • 25 de dezembro: Natal

Os municípios podem estabelecer outros quatro feriados, por conta própria. Isso inclui, geralmente, a Sexta-Feira da Paixão, e nada impede que um município tenha decretado o carnaval como recesso oficial. O Guia Trabalhista comenta:

Partindo desse pressuposto, se não houver uma lei municipal estabelecendo que o carnaval seja feriado, o trabalho neste dia será normal e o não comparecimento ao trabalho, acarretará prejuízos salariais ao empregado. Haverá prejuízo da mesma forma no caso da quarta-feira de cinzas.

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O avião da praça

Brasil, Geografia

Não são poucos os milhares de pessoas que passam todos os dias pela BR 116, em Canoas (RS), e que por consequência cruzam em frente ao avião que está lá, transformado em monumento, na praça às margens da rodovia. É daqueles pontos da paisagem urbana com o qual nos acostumamos e ao qual poucas vezes prestamos atenção por mais de alguns segundos.

praca O avião da praça

O avião visto pela foto de satélite, ao lado da BR 116 (Google Earth)

Numa das minhas passagens pelo local, me perguntei: “Afinal, que diabos de avião é esse? E quem foi que o colocou ali, se equilibrando sobre alguns pilares de concreto?”

A praça Santos Dumont (esse é o nome oficial da “Praça do Avião”) tem até verbete na Wikipedia. Portanto a pesquisa não foi das mais dificeis, mas acho que vale publicar as informações que satisfizeram minha curiosidade.

O avião é uma aeronave de combate inglesa, um F8 Gloster Meteor, doado à cidade pela Força Aérea Brasileira. O monumento é uma homenagem à importância da Base Aérea de Canoas ao desenvolvimento do município. O caça custou 214 toneladas de algodão (mas essa história eu explico mais adiante).

O vôo inaugural de um avião da série Gloster Meteor foi em 05 de março de 1943. Foi o único avião a jato dos Aliados a entrar em operação antes do final da II Guerra Mundial.

Em 1953 o governo brasileiro comprou 70 Gloster Meteor usados da Força Area Britânica (60 do modelo F8, incluindo o que está na praça, e 10 do modelo T7). Os aviões foram usados no Brasil até 1974, quando o último deles foi aposentado pela Força Aérea Brasileira.

Antes disso, em 1968, em plena ditadura militar, uma dessas aeronaves foi retirada de circulação ao completar 21 mil horas de vôo. Numa iniciativa dos militares, o avião foi colocado na então “praça La Salle”. A inauguração do monumento foi em 20 de janeiro. (Foi só em 1977 que a praça recebeu o nome de Alberto Santos Dumont.)

DSC04265 O avião da praça

O F8 Gloster Meteor nos dias de hoje, no meio da praça em Canoas

Mas e o preço? Bem… Segundo a Conab, o preço mínimo de referência de uma tonelada de algodão hoje no Brasil é de R$ 2.973,30. Se o Brasil pagou 15 mil toneladas de algodão por 70 aviões, cada aeronave em valores atuais custou R$ 637.135,71.

Ah, por último uma recomendação importante: ao passar de carro em frente à Praça do Avião não desvie o olhar para ver o monumento. Mantenha o olho no carro da frente, para seu próprio bem. Aquele exato ponto da BR 116 está em quarto lugar no ranking nacional dos locais com maior número de acidentes de trânsito.

  • Um agradecimento à colega jornalista Nuria Saldanha, pela ajuda com a pesquisa sobre os preços do algodão
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Favelas no mapa

Brasil
favelasrj Favelas no mapa

Favela Comunidade Ricardinho está no mapa!

Não sei como funciona o processo que coloca cidades inteiras, nomes de ruas e bairros no Google Maps. Só sei que o sistema não está favorecendo muito o lado “maravilhoso”  do Rio de Janeiro.

A imagem acima é o que se vê quando o Rio é visualizado pelo serviço de mapas do Google, com um zoom médio.

E vamos à contagem:

  • Favela Fazenda do Coqueiro
  • Favela R. Iguaçu
  • Favela de Ramos ou Ruth Ferreira
  • Favela Parque Rubens Vaz
  • Favela Rer. Saudoso
  • Favela Teixeira Bastos
  • Favela Morro do Fubá
  • Favela Vila Sapé
  • Favela Caminho do Marinho
  • Favela do Rio Morto
  • Favela Vila dos Crentes
  • Favela Vila Nova
  • Favela Comunidade Ricardinho
  • Favela R. Modesto Brocos
  • Favela Dona Marta
  • TOTAL: 15 favelas
  • Realengo
  • Padre Miguel
  • Campo dos Afonsos
  • Barra da Tijuca
  • Gávea
  • Vidigal
  • Itanhangá
  • Ipanema
  • TOTAL: 8 bairros/regiões

Que chinelagem, hein? 15 a 8 para as favelas no placar do Google! E olha que separei apenas um trechinho de 500 pixels de largura. O mapeamento favelário é muito mais extenso.

Mas… Cadê as favelas famosas? Aquelas que estamos acostumados a ouvir falar no Jornal Nacional: Rocinha, Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Complexo do Alemão. Tinham todas que aparecer nesse mesmo mapa, mas o Google ignorou.

É o que dá automatizar tudo nesse mundo: além de escancarar que o Rio de Janeiro parece ter muito mais favelas do que “bairros” propriamente ditos, o sistema deixa de exaltar os pontos mais gloriosos da pacata capital fluminense.

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