Não sei como funciona o processo que coloca cidades inteiras, nomes de ruas e bairros no Google Maps. Só sei que o sistema não está favorecendo muito o lado “maravilhoso” do Rio de Janeiro.
Que chinelagem, hein? 15 a 8 para as favelas no placar do Google! E olha que separei apenas um trechinho de 500 pixels de largura. O mapeamento favelário é muito mais extenso.
Mas… Cadê as favelas famosas? Aquelas que estamos acostumados a ouvir falar no Jornal Nacional: Rocinha, Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Complexo do Alemão. Tinham todas que aparecer nesse mesmo mapa, mas o Google ignorou.
É o que dá automatizar tudo nesse mundo: além de escancarar que o Rio de Janeiro parece ter muito mais favelas do que “bairros” propriamente ditos, o sistema deixa de exaltar os pontos mais gloriosos da pacata capital fluminense.
Quem me conhece pessoalmente já deve ter percebido que a minha primeira reação à maioria das histórias que ouço é duvidar. Eu duvido com facilidade de qualquer história mal contada e, especialmente, de fonte sem autoridade no assunto.
Pois esses dias ouvi de uma mulher, no trabalho: “Eu estou na TPM! E se eu tivesse batido naquele colega que estava me irritando, nem poderia ser demitida já que agora a legislação trabalhista não autoriza punições a mulheres na TPM.”
Duvidei que a legislação trabalhista incluísse algo assim. Nem agora nem nunca.
A pesquisa foi árdua e confesso que não encontrei nenhuma fonte que afirmasse categoricamente que a CLT não dá guarida a mulheres ouriçadas pela iminência do vazamento do endométrio uterino. Mesmo assim, estou colocando minha mão no fogo para afirmar: a minha colega estava errada e se tivesse batido no companheiro de firma estaria, sim, perigando ir pra rua.
Pesquisei de tudo quanto é jeito e não achei nenhuma referência a qualquer lei desse gênero. Nem a legislação federal arquivada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, nem o próprio texto da Consolidação das Leis do Trabalho fazem qualquer menção à TPM.
Agora… Encontrei algumas informações interessantes sobre a tal tensão:
Só no estado de São Paulo, são 7 mil policiais civis femininas na ativa. Se a mulher passa de 5 a 7 dias por mês em TPM (16% a 25% do tempo), já imaginaram o risco que é ter 1750 mulheres armadas e irritadas andando pelas ruas?
Há juristas que utilizam a TPM como argumento para tentar diminuir a pena de mulheres que cometem crimes como assassinatos. Só não consegui descobrir se isso já colou em algum tribunal brasileiro.
Embora a TPM não esteja nas leis trabalhistas, em 2003 uma deputada deferal do PT de São Paulo tentou garantir por lei o tratamento deste distúrbio na rede hospitalar brasileira. Não vingou. O projeto foi arquivado.
Se alguém tiver alguma informação que contradiga a minha não-descoberta, por favor deixe um comentário.
Seguíamos de carro, a pequena e eu, por uma estrada rumo ao interior, numa tarde ensolarada de domingo. De repente, um cheiro estranho envolve o ambiente. Não, eu não fiz nada. Muito menos ela, claro! O cheiro vinha de fora, do capim à beira da rodovia.
“Viu? É o cheiro de zorrilho”, disse minha namorada.
Nunca ouvi falar de zorrilho em minha vida. Ou melhor… Nunca tinha ouvido falar de um bicho desses até pouco tempo atrás. A patroa insistia que determinado odor desagradável, sentido ao ar livre, era provocado por esse tal bicho.
O teimoso aqui achou que era lenda. Como a nhonha que se “caça” nos retiros da igreja (este um assunto para outro post, com certeza). Fui pesquisar, claro. E tenho que dar o braço a torcer: esse tal zorrilho existe mesmo.
Olha o zorrilho aí!
Resumindo: trata-se de um gambá. O nome científico é Conepatus chinga. Pode ser também chamado de jaritataca ou canganbá (embora algumas fontes digam que estas já seriam espécies diferentes).
E o cheiro? Hummm… O zorrilho tem uma poderosa glândula anal que produz um líquido fedorento, usado para defesa.
Zorrillo também é uma palavra em espanhol que signigica… zorrilho! Também é sinônimo para gambá, ou para pessoa malcheirosa ou ainda, no Chile, para veículo policial capaz de lançar gás lacrimongêneo.
Esses tempos recebi um email que não deu para ignorar. Uma sucessão de fotos mostrando dezenas de homens chacinando golfinhos e baleias na beira de uma praia. Imagens fortes e abundantes. Sangue para todo o lado. (Clique aqui para ver o email)
O texto não era rico em explicações, mas também não economizava críticas ou adjetivos condenatórios: “Pode parecer incrível, mas este costume continua ainda hoje, nas Ilhas Feroe (Dinamarca). Um país supostamente civilizado e membro da União Europeia.”
Nossa equipe ficou curiosa sobre os detalhes e a veracidade do evento e foi pesquisar (tudo online, como o bonato.cc se propôs a fazer).
Embora o endereço da marca d’água das fotos levasse a um site árabe de baboseiras, a profusão de imagens deixava claro que não se tratava de uma montagem. A caça de baleias (e alguns golfinhos) nas Ilhas Feroe acontece mesmo, todos os anos. Eles têm até um site oficial.
Baleia piloto
O arquipélago das Ilhas Feroe tem 17 ilhas habitadas por meras 47 mil pessoas, e fica no meio do caminho entre a Inglaterra e a Islândia. O email traz uma informação distorcida: Feroe é oficialmente parte da Dinamarca, mas é território autônomo e nunca aderiu à União Europeia. Há inclusive um movimento que busca a total independência. Dessa forma, ficaria difícil para a UE aplicar uma eventual punição à matança das baleias.
Mas por que diabos eles fazem isso? É tradição há pelo menos 500 anos. Participar do evento, matando as baleias piloto com a faca em punho é considerado um rito de passagem para os meninos das ilhas. Também é uma maneira usual de garantir a alimentação da população local. A carne é distribuída gratuitamente entre os participantes, e qualquer um pode ajudar. Anualmente são caçadas em média 950 baleias piloto.
A técnica não é muito complexa. Quando um grupo de animais surge perto da ilha, elas são cercadas por barcos e encurraladas em uma baía. Algumas baleias encalham na areia. Outras são puxadas para lá por ganchos e cabos de aço.
O vídeo acima tem imagem “ao vivo”, além das fotos. Os próprios pescadores admitem que não é uma cena bonita, mas se defendem:
A caça das baleias piloto, por natureza, é uma visão dramática e sangrenta. Grupos de animais são mortos na costa e nas praias com facas que são usadas para cortar o suprimento de sangue para o cérebro. Esta é a maneira mais eficiente e humana de matar as baleias, dadas as circunstâncias, mas isso resulta em muito sangue na água. É compreensível que tenha havido em outros países reações fortes à cobertura da mídia e às fotos, especialmente em comunidades urbanas, onde a maior parte das pessoas nunca testemunhou os procedimentos de abate utilizados na produção de qualquer carne.
A caçada cruel tem sido alvo de críticas especialmente de ONGs ambientalistas como o Sea Sheperd. Quem quiser ajudar nos protestos pode inclusive participar de abaixo assinado online, pedindo o fim da matança.
Tudo está em seu lugar… Graças a Deus. E graças, claro a algumas horas de programação de código, pesquisas sobre as mudanças de template, etc. Graças também ao André, designer oficial do clã, que fez as alterações necessárias nos gráficos do site. Depois de meses de promessas, podemos finalmente começar os trabalhos.
Não está difícil perceber que há alguns erros no nosso layout. É que o WordPress (sistema utilizado para rodar esse blog) fez uma atualização crítica e junto com ela foi necessário baixar um template atualizado. Só que o sujeito que desenhou o template original mudou o tamanho de algumas coisas… Agora é preciso fazer ajustes. Enquanto as mudanças não acontecem, manteremos esse visual tosco. Esperamos que seja por pouco tempo.
A champanhe está na mesa para brindar a real inauguração deste blog. Após uma rigorosa pesquisa de mercado, após extensas conversas com uma equipe de consultores peruanos e, claro, após saber o que os búzios pensam a respeito, é chegada a hora de desvendar o rumo que este blog vai tomar.
Daqui para frente o bonato.cc se dedicará a investigações de internet.
Apresentaremos aqui artigos curiosos, motivados pela curiosidade do autor. A fonte será a internet e apenas ela. A idéia é ir a fundo em histórias mal contadas, desencavar algumas bizarices ou quem sabe elaborar um plano para trazer o Caribe mais para perto de Capão da Canoa.
Nada de “copy + paste”. Digamos que será um “jornalismo relaxado” (com todas as conotações que relaxado pode ter). Quase reportagens, sem compromisso de cobrir todo as 389 versões de um fato. O grande desafio será levar a caça por informações a mares nunca antes navegados, numa conjunção voluptuosa de ferramentas e perspicácia.
Se pareceu confuso e ambicioso, as coisas vão ficar mais claras a partir do próximo post. Os próximos assuntos serão sempre anunciados num box, aí na coluna da esquerda.
Nossa equipe não veio para a Polônia para passear. Definitivamente isso não está acontecendo. Tempo é uma questão muito complicada por aqui. O sol aparece no horizonte depois das 8h da manhã. Às 15h ele já está desaparecendo. Veja a foto abaixo:
Poznan às 15h: meio deprimente, não?
Esta é uma das avenidas de Poznan no meio da tarde. Ou seja… Não adianta querer sair mais cedo para ver alguma coisa. Quando se vai embora “para casa” já está totalmente escuro lá fora.
Nossa equipe também não veio para cá com o objetivo de escrever belos capítulos (como o início de uma novela demandaria). Viemos para cá para refletir. O frio de 0° aumenta a atividade cerebral. Nossa meta: definir os detalhes do tema deste blog, daqui para a frente.
E é com grande prazer que eu anuncio que sim, nós chegamos a um consenso. O projeto vai ser apresentado à imprensa, em detalhes, nas próximas horas. Aguardem!
Dzien dobry! Bom dia! A imensa equipe deste blog (redator, editor, fotógrafo, camareira e motorista) já está em Poznan, na Polônia. A Conferência da ONU para Mudanças Climáticas está começando e estamos ainda nos adaptando ao funcionamento das coisas por aqui.
A direção agradece a todos que deixaram mensagens nos comentários.
Para quem for acostumado a usar RSS feeds, vale ressaltar que o link está logo aqui acima, à direita. Para quem não sabe o que é o sistema, eu recomendo usar o Google Reader.
Essa foi a pergunta que mais me fizeram desde ontem, quando lancei o novo blog e o novo email.
Bom… “.cc” é o domínio das Ilhas Coco, um pequeno arquipélago perdido no meio do oceano Pacífico. É território australiano. O último censo revela que incontáveis 596 pessoas moram lá.
E por que diabos eu escolhi esse endereço? O mercado de domínios de internet é complicado. Poucas terminações são realmente baratas. Todas as comuns, que seriam bonato.com, bonato.org, etc, já estavam sendo utilizadas. Me restou o “cc”. Até que é simpático, não?
Gustavo Bonato é jornalista, gaúcho e torcedor do Internacional. Já passou uma semana tentando falar grego na Turquia. É impaciente. Sabe diferenciar uma vaca nelore de uma gir leiteira.