
26/Feb/09

Favela Comunidade Ricardinho está no mapa!
Não sei como funciona o processo que coloca cidades inteiras, nomes de ruas e bairros no Google Maps. Só sei que o sistema não está favorecendo muito o lado “maravilhoso” do Rio de Janeiro.
A imagem acima é o que se vê quando o Rio é visualizado pelo serviço de mapas do Google, com um zoom médio.
E vamos à contagem:
- Favela Fazenda do Coqueiro
- Favela R. Iguaçu
- Favela de Ramos ou Ruth Ferreira
- Favela Parque Rubens Vaz
- Favela Rer. Saudoso
- Favela Teixeira Bastos
- Favela Morro do Fubá
- Favela Vila Sapé
- Favela Caminho do Marinho
- Favela do Rio Morto
- Favela Vila dos Crentes
- Favela Vila Nova
- Favela Comunidade Ricardinho
- Favela R. Modesto Brocos
- Favela Dona Marta
- TOTAL: 15 favelas
|
- Realengo
- Padre Miguel
- Campo dos Afonsos
- Barra da Tijuca
- Gávea
- Vidigal
- Itanhangá
- Ipanema
- TOTAL: 8 bairros/regiões
|
Que chinelagem, hein? 15 a 8 para as favelas no placar do Google! E olha que separei apenas um trechinho de 500 pixels de largura. O mapeamento favelário é muito mais extenso.
Mas… Cadê as favelas famosas? Aquelas que estamos acostumados a ouvir falar no Jornal Nacional: Rocinha, Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Complexo do Alemão. Tinham todas que aparecer nesse mesmo mapa, mas o Google ignorou.
É o que dá automatizar tudo nesse mundo: além de escancarar que o Rio de Janeiro parece ter muito mais favelas do que “bairros” propriamente ditos, o sistema deixa de exaltar os pontos mais gloriosos da pacata capital fluminense.

07/Feb/09
Quem me conhece pessoalmente já deve ter percebido que a minha primeira reação à maioria das histórias que ouço é duvidar. Eu duvido com facilidade de qualquer história mal contada e, especialmente, de fonte sem autoridade no assunto.
Pois esses dias ouvi de uma mulher, no trabalho: “Eu estou na TPM! E se eu tivesse batido naquele colega que estava me irritando, nem poderia ser demitida já que agora a legislação trabalhista não autoriza punições a mulheres na TPM.”
Duvidei que a legislação trabalhista incluísse algo assim. Nem agora nem nunca.
A pesquisa foi árdua e confesso que não encontrei nenhuma fonte que afirmasse categoricamente que a CLT não dá guarida a mulheres ouriçadas pela iminência do vazamento do endométrio uterino. Mesmo assim, estou colocando minha mão no fogo para afirmar: a minha colega estava errada e se tivesse batido no companheiro de firma estaria, sim, perigando ir pra rua.
Pesquisei de tudo quanto é jeito e não achei nenhuma referência a qualquer lei desse gênero. Nem a legislação federal arquivada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, nem o próprio texto da Consolidação das Leis do Trabalho fazem qualquer menção à TPM.
Agora… Encontrei algumas informações interessantes sobre a tal tensão:
- Só no estado de São Paulo, são 7 mil policiais civis femininas na ativa. Se a mulher passa de 5 a 7 dias por mês em TPM (16% a 25% do tempo), já imaginaram o risco que é ter 1750 mulheres armadas e irritadas andando pelas ruas?
- Há juristas que utilizam a TPM como argumento para tentar diminuir a pena de mulheres que cometem crimes como assassinatos. Só não consegui descobrir se isso já colou em algum tribunal brasileiro.
- Embora a TPM não esteja nas leis trabalhistas, em 2003 uma deputada deferal do PT de São Paulo tentou garantir por lei o tratamento deste distúrbio na rede hospitalar brasileira. Não vingou. O projeto foi arquivado.
Se alguém tiver alguma informação que contradiga a minha não-descoberta, por favor deixe um comentário.