Seguíamos de carro, a pequena e eu, por uma estrada rumo ao interior, numa tarde ensolarada de domingo. De repente, um cheiro estranho envolve o ambiente. Não, eu não fiz nada. Muito menos ela, claro! O cheiro vinha de fora, do capim à beira da rodovia.
“Viu? É o cheiro de zorrilho”, disse minha namorada.
Nunca ouvi falar de zorrilho em minha vida. Ou melhor… Nunca tinha ouvido falar de um bicho desses até pouco tempo atrás. A patroa insistia que determinado odor desagradável, sentido ao ar livre, era provocado por esse tal bicho.
O teimoso aqui achou que era lenda. Como a nhonha que se “caça” nos retiros da igreja (este um assunto para outro post, com certeza). Fui pesquisar, claro. E tenho que dar o braço a torcer: esse tal zorrilho existe mesmo.
Olha o zorrilho aí!
Resumindo: trata-se de um gambá. O nome científico é Conepatus chinga. Pode ser também chamado de jaritataca ou canganbá (embora algumas fontes digam que estas já seriam espécies diferentes).
E o cheiro? Hummm… O zorrilho tem uma poderosa glândula anal que produz um líquido fedorento, usado para defesa.
Zorrillo também é uma palavra em espanhol que signigica… zorrilho! Também é sinônimo para gambá, ou para pessoa malcheirosa ou ainda, no Chile, para veículo policial capaz de lançar gás lacrimongêneo.
Esses tempos recebi um email que não deu para ignorar. Uma sucessão de fotos mostrando dezenas de homens chacinando golfinhos e baleias na beira de uma praia. Imagens fortes e abundantes. Sangue para todo o lado. (Clique aqui para ver o email)
O texto não era rico em explicações, mas também não economizava críticas ou adjetivos condenatórios: “Pode parecer incrível, mas este costume continua ainda hoje, nas Ilhas Feroe (Dinamarca). Um país supostamente civilizado e membro da União Europeia.”
Nossa equipe ficou curiosa sobre os detalhes e a veracidade do evento e foi pesquisar (tudo online, como o bonato.cc se propôs a fazer).
Embora o endereço da marca d’água das fotos levasse a um site árabe de baboseiras, a profusão de imagens deixava claro que não se tratava de uma montagem. A caça de baleias (e alguns golfinhos) nas Ilhas Feroe acontece mesmo, todos os anos. Eles têm até um site oficial.
Baleia piloto
O arquipélago das Ilhas Feroe tem 17 ilhas habitadas por meras 47 mil pessoas, e fica no meio do caminho entre a Inglaterra e a Islândia. O email traz uma informação distorcida: Feroe é oficialmente parte da Dinamarca, mas é território autônomo e nunca aderiu à União Europeia. Há inclusive um movimento que busca a total independência. Dessa forma, ficaria difícil para a UE aplicar uma eventual punição à matança das baleias.
Mas por que diabos eles fazem isso? É tradição há pelo menos 500 anos. Participar do evento, matando as baleias piloto com a faca em punho é considerado um rito de passagem para os meninos das ilhas. Também é uma maneira usual de garantir a alimentação da população local. A carne é distribuída gratuitamente entre os participantes, e qualquer um pode ajudar. Anualmente são caçadas em média 950 baleias piloto.
A técnica não é muito complexa. Quando um grupo de animais surge perto da ilha, elas são cercadas por barcos e encurraladas em uma baía. Algumas baleias encalham na areia. Outras são puxadas para lá por ganchos e cabos de aço.
O vídeo acima tem imagem “ao vivo”, além das fotos. Os próprios pescadores admitem que não é uma cena bonita, mas se defendem:
A caça das baleias piloto, por natureza, é uma visão dramática e sangrenta. Grupos de animais são mortos na costa e nas praias com facas que são usadas para cortar o suprimento de sangue para o cérebro. Esta é a maneira mais eficiente e humana de matar as baleias, dadas as circunstâncias, mas isso resulta em muito sangue na água. É compreensível que tenha havido em outros países reações fortes à cobertura da mídia e às fotos, especialmente em comunidades urbanas, onde a maior parte das pessoas nunca testemunhou os procedimentos de abate utilizados na produção de qualquer carne.
A caçada cruel tem sido alvo de críticas especialmente de ONGs ambientalistas como o Sea Sheperd. Quem quiser ajudar nos protestos pode inclusive participar de abaixo assinado online, pedindo o fim da matança.
Tudo está em seu lugar… Graças a Deus. E graças, claro a algumas horas de programação de código, pesquisas sobre as mudanças de template, etc. Graças também ao André, designer oficial do clã, que fez as alterações necessárias nos gráficos do site. Depois de meses de promessas, podemos finalmente começar os trabalhos.
Não está difícil perceber que há alguns erros no nosso layout. É que o Wordpress (sistema utilizado para rodar esse blog) fez uma atualização crítica e junto com ela foi necessário baixar um template atualizado. Só que o sujeito que desenhou o template original mudou o tamanho de algumas coisas… Agora é preciso fazer ajustes. Enquanto as mudanças não acontecem, manteremos esse visual tosco. Esperamos que seja por pouco tempo.
Gustavo Bonato é jornalista, gaúcho e torcedor do Internacional. Já passou uma semana tentando falar grego na Turquia. É impaciente. Sabe diferenciar uma vaca nelore de uma gir leiteira.